Em sua primeira temporada de 2026, o Balé da Cidade de São Paulo estreia ENCRUZILHADA na Sala de Espetáculos do Theatro Municipal, com apresentações nos dias 14, 15, 18, 19, 20, 21 e 22de março. ENCRUZILHADA é uma obra coreográfica sobre a celebração como espaço de resistência e a negociação como prática compartilhada, sobre encontro e conflito. Os ingressos variam de R$13 a R$100 e a duração é de aproximadamente 70 minutos, sem intervalo. O espetáculo tem patrocínio do Nubank.Com concepção e coreografia de Renan Martins; Iolanda Sinatra assina a dramaturgia e o acompanhamento artístico; Helena Araújo, a assistência de coreografia; EPX e Alana Ananias, a trilha sonora e sua execução ao vivo; Jo Rios, o design de luz; e Tom Martins, o figurino. A coreografia articula gestos do imaginário coletivo, práticas corporais populares e arquivos ancestrais, colocando a coletividade no centro da cena como prática instável e necessária.“A obra abraça um conjunto de arquivos de danças que ampliam o nosso entendimento sobre danças contemporâneas: gestos do imaginário coletivo, práticas corporais populares e formas de movimento que, geralmente, não ocupariam contextos institucionais.
A Fundação Theatro Municipal abriu inscrições para a sexta edição do Programa Jovens Criadores, Pesquisadores e Monitores. A iniciativa oferece bolsa mensal de R$ 1.400 durante 10 meses e é destinada a jovens de 18 a 29 anos interessados em formação nas áreas artísticas, técnicas e de gestão cultural.
As inscrições seguem até 24 de fevereiro e devem ser feitas por meio de formulário on-line. O programa é uma ação da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo.
Entre as áreas contempladas estão articulação e mediação cultural, cenotécnica, dramaturgia e ópera, figurino, pesquisa de acervo, sonorização, produção, programação artística e musicoteca. As atividades também envolvem núcleos como o Balé da Cidade, o Coral Paulistano e o Coro Lírico.
O Conservatório de Tatuí, considerado a maior escola de música e teatro da América Latina, está com inscrições abertas para o 2º Processo Seletivo de Estudantes do ano letivo de 2026. Ao todo, são mais de 150 vagas distribuídas entre a sede, em Tatuí, e o polo localizado em São José do Rio Pardo.
Os cursos são totalmente gratuitos, sem cobrança de taxa de inscrição, matrícula ou mensalidade. As inscrições devem ser feitas exclusivamente de forma online, até o dia 9 de março, pelo site oficial da instituição.
Vinculado à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e gerido pela Sustenidos Organização Social de Cultura, o Conservatório oferece formações nas áreas de música erudita, música popular, teatro e educação musical, em modalidades que incluem cursos livres, regulares e especializações.
A temporada 2026 de óperas no Theatro Municipal começa com O Amor das Três Laranjas, com récitas nos dias 27 e 28 de fevereiro e 1o, 3, 4, 6 e 7 de março.
Trata-se de uma remontagem do espetáculo do compositor russo Sergei Prokofiev, com concepção de Luiz Carlos Vasconcelos e direção cênica de Ronaldo Zero — esta versão passou pela casa de concertos em 2022.
O Theatro Municipal de São Paulo — equipamento cultural gerido pela Sustenidos Organização Social de Cultura — celebrou, em fevereiro, os 58 anos do Balé da Cidade de São Paulo (BCSP), um dos mais importantes corpos artísticos do país e referência na construção da dança contemporânea brasileira.
Ao longo de quase seis décadas, o grupo consolidou uma trajetória marcada pela experimentação, pela pesquisa e pela constante atualização artística, dialogando de forma direta com as transformações sociais, culturais e estéticas da cidade de São Paulo. Para refletir sobre esse percurso, conversamos com Alejandro Ahmed, atual diretor artístico do Balé da Cidade, que compartilha sua visão sobre a história, os desafios e os caminhos futuros da companhia.
Uma presença artística em constante transformação
Mais do que definir uma identidade fixa, Ahmed propõe olhar para o Balé da Cidade a partir de sua capacidade de transformação. Segundo ele, o que caracteriza a trajetória da companhia é uma presença artística construída historicamente a partir da reflexão crítica sobre o próprio tempo.
“Pensar a presença artística e não a identidade do BCSP”, afirma o diretor, destacando que a companhia desenvolveu, ao longo de sua história, “um modo de compreender a contemporaneidade ao elaborar o corpo contemporâneo como corpo crítico”.
Desde suas diferentes fases, especialmente a partir de meados dos anos 1970, o Balé da Cidade consolidou uma prática artística quedialoga com a complexidade urbana de São Paulo. A cidade, diversa e dinâmica, torna-se também matéria de criação, influenciando uma síntese técnica e artística que mantém em tensão tradição, inovação e pensamento crítico.
Entre tradição e inovação: desafios de uma companhia pública
Conduzir um grupo artístico com quase seis décadas de história exige equilíbrio constante entre legado e renovação. Para Ahmed, os principais desafios estão nos aspectos éticos e estéticos que atravessam o cotidiano de uma companhia pública de grande porte.
“Um dos desafios é encontrar um ponto de equilíbrio entre diferentes gerações de bailarinas e bailarinos”, explica, ressaltando a condição do BCSP como companhia de repertório, que dança obras de diferentes coreógrafas e coreógrafos ao mesmo tempo em que responde às demandas institucionais.
Nesse contexto, tradição não significa imobilidade. Pelo contrário: segundo o diretor, respeitar o passado implica compreender que a expansão e a abertura ao novo fazem parte da própria história do grupo. A dança, portanto, se constrói em movimento, revisitando o que a constitui enquanto projeta novos futuros possíveis.
Formação de público e ampliação do acesso à dança
Outro eixo central da atuação do Balé da Cidade é o fortalecimento da relação com o público. Para a companhia, a dança vai além da linguagem artística e se afirma como forma de conhecimento e reflexão sobre o corpo e o mundo.
Nos últimos anos, o BCSP ampliou ações de mediação e compartilhamento que aproximam o público dos processos criativos e técnicos da dança contemporânea. Entre as iniciativas estão projetos como Ensaios Expandidos, Conversa de Bastidores, Quase em Cena, Antes da Cena e visitas guiadas, que convidam o público a vivenciar o processo artístico de maneira mais próxima.
“A troca com o público se fortalece por meio de diferentes ações de compartilhamento, que aproximam os processos de criação e ampliam o acesso às práticas da companhia”, destaca Ahmed.
Essas ações reforçam o compromisso do grupo com a formação de público e com a democratização do acesso à dança, consolidando o Balé da Cidade como um espaço de pesquisa e encontro entre diferentes saberes.
Repertório e contemporaneidade: a dança como reflexão sobre o presente
As escolhas artísticas atuais também refletem debates urgentes da sociedade brasileira. Segundo o diretor artístico, o repertório é o eixo que estrutura as estratégias éticas e estéticas da gestão, buscando colocar a dança em diálogo direto com as questões do presente.
“A dança não traduz a realidade: ela a complementa”, afirma Ahmed. “Nesse gesto, compromete-se com aquilo que é mais central ao nosso fazer, o corpo, e com suas imbricações sociais, políticas e culturais.”
Nos últimos anos, as decisões curatoriais têm valorizado processos que fortalecem a voz do elenco e ampliam as possibilidades de criação, incorporando diferentes perspectivas e tecnologias específicas da dança contemporânea. O resultado é uma prática artística que não apenas representa o tempo atual, mas participa ativamente de sua construção crítica.
58 anos olhando para o futuro
Celebrar os 58 anos do Balé da Cidade de São Paulo é reconhecer uma trajetória que atravessa gerações e reafirma o papel da arte comoespaço de pensamento, transformação e diálogo com a sociedade.
Ao manter-se em constante atualização, o BCSP segue ampliando sua relevância no cenário nacional e internacional, fortalecendo a dança contemporânea e aproximando o público dos processos criativos que dão vida ao palco do Theatro Municipal de São Paulo.
O aniversário marca a continuidade de um projeto artístico vivo — que olha para sua história enquanto projeta novos caminhos para a dança e para a cultura brasileira.
O núcleo Musicou Andirá inicia as atividades no programa MusicouLab, um laboratório/estúdio musical equipado para promover oficinas e vivências com foco na música e na tecnologia. Essa inauguração representa mais um passo para transformar o núcleo em um hub criativo local, conectando talentos, saberes e experiências com a música contemporânea e suas tecnologias.
Inédito na região, o programa, 100% gratuito, tem por objetivo apoiar e impulsionar a trajetória de jovens músicos e grupos locais dos territórios atendidos, por meio da oferta de duas oficinas específicas – Música e Tecnologia e Mentoria Artística – e da disponibilização de um espaço equipado (laboratório/estúdio e set de instrumentos), no qual os(as) participantes poderão realizar trabalhos autorais, experimentar e produzir coletivamente, desenvolver a percepção por meio de recursos tecnológicos e aprimorar habilidades de manipular softwares e plugins de áudio.
Espera-se que o MusicouLab seja reconhecido pela comunidade como ponto de encontro criativo, espaço de circulação de ideias e experimentações, onde jovens artistas possam se reunir, aprender, compartilhar processos e fortalecer suas trajetórias de criação e produção musical.
Oficina de Música e Tecnologia
As Oficinas de Música e Tecnologia oferecem aos(às) participantes uma abordagem complementar aos estudos musicais. O objetivo é introduzir o(a) estudante a perspectivas musicais contemporâneas que integram música, mídias e tecnologia, por meio de temas como: composições cumulativas com uso de tecnologia; beatmaker (bases rítmicas); composição de trilhas sonoras e soundscapes (paisagens sonoras); corpo, sons da natureza e registro sonoro; SoundFX criativo (efeitos sonoros); edição e mixagem com uso de softwares e plugins livres; Foley (sonoplastia); e manipulação de material sonoro.
Para se inscrever, basta comparecer no núcleo Musicou Andirá, de segunda, terça e quinta-feira. As oficinas acontecerão nas terças e quintas-feiras, das 16h30 às 17h30.
Musicou Andirá – Cine Teatro São Carlos Endereço: Rua São Paulo, s/n, Centro – CEP: 86380-970 Horário de funcionamento: 2ª, das 14h às 18h, 3ª, das 14h30 às 20h30, 5ª, das 14h30 às 20h30,
Afrociberdelia sinfônico: Nação Zumbi ocupa o Municipal e faz história ao lado da Orquestra Experimental de Repertório
Nos dias 2 e 3 de fevereiro, o Nação Zumbi protagonizou um encontro potente entre manguebeat, sinfonia, memória e ancestralidade no palco do Theatro Municipal de São Paulo. Acompanhado pela Orquestra Experimental de Repertório, sob a regência de Wagner Polistchuk, a banda pernambucana celebrou os 30 anos de Afrociberdelia, disco fundamental da música brasileira contemporânea, em dupla apresentação no equipamento gerido pela Sustenidos Organização Social de Cultura.
Lançado em 1996, Afrociberdelia é um marco por fundir ritmos tradicionais, rock, eletrônica e experimentalismo, consolidando o manguebeat como uma das grandes forças da música brasileira. Três décadas depois, o disco ganhou novos contornos com arranjos sinfônicos assinados por Mateus Alves, que ampliaram as camadas do álbum sem perder sua pulsação original.
A expectativa para o show foi tão grande que os ingressos se esgotaram em cinco minutos e uma nova data foi aberta, na qual também houve lotação máxima em apenas três minutos.
“A gente espera abrir novas datas, depois do período da folia, porque se faz necessário. Muitos amigos ficaram fora nas duas ocasiões, os ingressos acabaram muito rápido e foi uma experiência muito boa para gente”, diz Jorge Du Peixe.
Foto: Rafael Salvador
Com o disco Afrociberdelia executado do começo ao fim, o público cantou junto as 18 músicas do setlist, transformando o Theatro Municipal em um grande coro coletivo. O show terminou com o bis de “O Sonho”, do álbum Nação Zumbi (2014), e o clássico “Maracatu Atômico”, selando duas noites em que o mangue encontrou a sinfonia — e saiu ainda maior.
Para o vocalista, a experiência foi marcante em vários níveis — artísticos, afetivos e simbólicos. Ele destacou a mobilização do público e a intensidade emocional vivida nas duas noites em São Paulo.
“Funcionou muito o projeto desse show, pois a gente viu isso se refletir no público, que ficou emocionado em vários momentos, assim como a gente em cima do palco. Principalmente por ser dia de Iemanjá, uma data cheia de emoções, ainda tendo que subir no palco, então eu acho que a missão foi cumprida nas duas noites.”
Du Peixe também falou sobre o impacto deste encontro com a orquestra e sobre como esse diálogo vinha sendo costurado pela banda há bastante tempo.
“Não é a primeira vez que a gente se apresenta em teatro, mas com a soma importante e elegante necessária de uma orquestra, sim. E a Orquestra Experimental do Repertório não deixa de ser um experimento, é um encontro muito bonito. A gente já pensava nessa formação há um bom tempo e agora foi possível”, conta o vocalista.
Foto: Rafael Salvador
“Foi muito legal o encontro com o Wagner Polistchuk aqui de São Paulo, acompanhado de uma orquestra jovem. A gente descobriu que muita gente da orquestra curtia o som, pois, já nos ensaios, dava para ver a galera tocando e cantando baixinho as nossas músicas. É uma experiência muito válida e a gente espera poder fazer mais vezes”, complementa.
Tocar Afrociberdelia na íntegra também teve um peso especial por ser o último trabalho gravado com Chico Science. Segundo Du Peixe, revisitar o álbum completo foi tão desafiador quanto emocionante.
“Tem um sabor especial porque esse disco tem músicas que a gente nunca levou ao palco, nem com o Chico. Nem sempre quando você lança um disco, você toca ele na íntegra, ao vivo. Você acaba distribuindo as músicas em repertórios diferentes. Mas tocar o disco na íntegra foi um desafio e um desafio carregado de memórias, né? Isso traz um sabor maior”, revela o vocalista.
Foto: Rafael Salvador
Já o contrabaixista Dengue também celebrou a repercussão imediata do projeto, impulsionada pelos vídeos que circularam nas redes sociais logo após a primeira apresentação.
“A gente está muito feliz e impressionado com o resultado desses dois shows em São Paulo. Nós já percebemos que a notícia espalhou e agora o pessoal dos outros teatros do Brasil, de outras orquestras, estão começando a ligar e a nos convidar para outros shows. Não prevíamos que isso aconteceria”, revela o artista.
Foto: Rafael Salvador
Para ele, o clima vivido no Municipal foi algo fora do comum, inclusive pela quebra de protocolos tradicionais da casa acostumada com óperas e concertos de música clássica.
“Eu diria que foi mágico tudo o que vivemos aqui. A gente estava comentando que foi uma loucura: o pessoal levantou, cantou, quebrou um pouco a formalidade desse lugar. Sem dúvidas, foi uma experiência diferente para nós, para o teatro, para a orquestra, para o maestro e principalmente para o público”, completa.
Paralelo ao show, Jorge Du Peixe adiantou que um novo disco do Nação Zumbi já está em produção — e promete surpreender o público.
“É um momento novo para a banda. A nossa maior marca sempre foi a diferença a cada disco, a gente nunca se repetiu. Nesses 30 anos, a cada trabalho a gente traz um frescor novo. Tem ideias novas, intenções novas, não só na percussão, mas também nas linhas harmônicas. Vai ser um disco bonito, bem variado, mas que não vou das mais informações agora”, completa ele, já deixando essa expectativa para os fãs.
Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí Foto: Paulo Rogério Ribeiro/Arquivo Conservatório de Tatuí)
O Conservatório de Tatuí abriu inscrições para o segundo processo seletivo de bolsistas dos grupos artísticos musicais. A escola oferece vagas remanescentes e possibilidade de cadastro reserva em instrumento e canto para todos os nove grupos de música.
A iniciativa é destinada a estudantes regularmente matriculados no CDMCC e participantes vindos de outras escolas musicais ou que estudem com professores particulares, desde que comprovem mensalmente vínculo estudantil ao longo do ano letivo de 2026.
Para estes casos, ainda é necessário que o participante tenha idade inferior a 30 anos e curse ao menos uma disciplina coletiva oferecida pelo CDMCC ao longo do período de vigência da bolsa.
Estão abertas as matrículas para o Musicou Andirá, programa de educação da Sustenidos Organização Social de Cultura.
Com patrocínio da CTG Brasil, o projeto oferece aulas gratuitas para pessoas de todas as idades no município paranaense, sendo de violão, percussão, canto coletivo, iniciação musical e prática de conjunto. As inscrições são presenciais no Cine Teatro São Carlos. É preciso levar documento de identificação com foto, RG ou certidão de nascimento do aluno, comprovante de residência e documento dos responsáveis, caso o aluno seja menor de 18 anos.