Afrociberdelia sinfônico: Nação Zumbi ocupa o Municipal e faz história ao lado da Orquestra Experimental de Repertório
Nos dias 2 e 3 de fevereiro, o Nação Zumbi protagonizou um encontro potente entre manguebeat, sinfonia, memória e ancestralidade no palco do Theatro Municipal de São Paulo. Acompanhado pela Orquestra Experimental de Repertório, sob a regência de Wagner Polistchuk, a banda pernambucana celebrou os 30 anos de Afrociberdelia, disco fundamental da música brasileira contemporânea, em dupla apresentação no equipamento gerido pela Sustenidos Organização Social de Cultura.
Lançado em 1996, Afrociberdelia é um marco por fundir ritmos tradicionais, rock, eletrônica e experimentalismo, consolidando o manguebeat como uma das grandes forças da música brasileira. Três décadas depois, o disco ganhou novos contornos com arranjos sinfônicos assinados por Mateus Alves, que ampliaram as camadas do álbum sem perder sua pulsação original.
A expectativa para o show foi tão grande que os ingressos se esgotaram em cinco minutos e uma nova data foi aberta, na qual também houve lotação máxima em apenas três minutos.
“A gente espera abrir novas datas, depois do período da folia, porque se faz necessário. Muitos amigos ficaram fora nas duas ocasiões, os ingressos acabaram muito rápido e foi uma experiência muito boa para gente”, diz Jorge Du Peixe.
Foto: Rafael Salvador
Com o disco Afrociberdelia executado do começo ao fim, o público cantou junto as 18 músicas do setlist, transformando o Theatro Municipal em um grande coro coletivo. O show terminou com o bis de “O Sonho”, do álbum Nação Zumbi (2014), e o clássico “Maracatu Atômico”, selando duas noites em que o mangue encontrou a sinfonia — e saiu ainda maior.
Para o vocalista, a experiência foi marcante em vários níveis — artísticos, afetivos e simbólicos. Ele destacou a mobilização do público e a intensidade emocional vivida nas duas noites em São Paulo.
“Funcionou muito o projeto desse show, pois a gente viu isso se refletir no público, que ficou emocionado em vários momentos, assim como a gente em cima do palco. Principalmente por ser dia de Iemanjá, uma data cheia de emoções, ainda tendo que subir no palco, então eu acho que a missão foi cumprida nas duas noites.”
Du Peixe também falou sobre o impacto deste encontro com a orquestra e sobre como esse diálogo vinha sendo costurado pela banda há bastante tempo.
“Não é a primeira vez que a gente se apresenta em teatro, mas com a soma importante e elegante necessária de uma orquestra, sim. E a Orquestra Experimental do Repertório não deixa de ser um experimento, é um encontro muito bonito. A gente já pensava nessa formação há um bom tempo e agora foi possível”, conta o vocalista.
Foto: Rafael Salvador
“Foi muito legal o encontro com o Wagner Polistchuk aqui de São Paulo, acompanhado de uma orquestra jovem. A gente descobriu que muita gente da orquestra curtia o som, pois, já nos ensaios, dava para ver a galera tocando e cantando baixinho as nossas músicas. É uma experiência muito válida e a gente espera poder fazer mais vezes”, complementa.
Tocar Afrociberdelia na íntegra também teve um peso especial por ser o último trabalho gravado com Chico Science. Segundo Du Peixe, revisitar o álbum completo foi tão desafiador quanto emocionante.
“Tem um sabor especial porque esse disco tem músicas que a gente nunca levou ao palco, nem com o Chico. Nem sempre quando você lança um disco, você toca ele na íntegra, ao vivo. Você acaba distribuindo as músicas em repertórios diferentes. Mas tocar o disco na íntegra foi um desafio e um desafio carregado de memórias, né? Isso traz um sabor maior”, revela o vocalista.
Foto: Rafael Salvador
Já o contrabaixista Dengue também celebrou a repercussão imediata do projeto, impulsionada pelos vídeos que circularam nas redes sociais logo após a primeira apresentação.
“A gente está muito feliz e impressionado com o resultado desses dois shows em São Paulo. Nós já percebemos que a notícia espalhou e agora o pessoal dos outros teatros do Brasil, de outras orquestras, estão começando a ligar e a nos convidar para outros shows. Não prevíamos que isso aconteceria”, revela o artista.
Foto: Rafael Salvador
Para ele, o clima vivido no Municipal foi algo fora do comum, inclusive pela quebra de protocolos tradicionais da casa acostumada com óperas e concertos de música clássica.
“Eu diria que foi mágico tudo o que vivemos aqui. A gente estava comentando que foi uma loucura: o pessoal levantou, cantou, quebrou um pouco a formalidade desse lugar. Sem dúvidas, foi uma experiência diferente para nós, para o teatro, para a orquestra, para o maestro e principalmente para o público”, completa.
Paralelo ao show, Jorge Du Peixe adiantou que um novo disco do Nação Zumbi já está em produção — e promete surpreender o público.
“É um momento novo para a banda. A nossa maior marca sempre foi a diferença a cada disco, a gente nunca se repetiu. Nesses 30 anos, a cada trabalho a gente traz um frescor novo. Tem ideias novas, intenções novas, não só na percussão, mas também nas linhas harmônicas. Vai ser um disco bonito, bem variado, mas que não vou das mais informações agora”, completa ele, já deixando essa expectativa para os fãs.
Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí Foto: Paulo Rogério Ribeiro/Arquivo Conservatório de Tatuí)
O Conservatório de Tatuí abriu inscrições para o segundo processo seletivo de bolsistas dos grupos artísticos musicais. A escola oferece vagas remanescentes e possibilidade de cadastro reserva em instrumento e canto para todos os nove grupos de música.
A iniciativa é destinada a estudantes regularmente matriculados no CDMCC e participantes vindos de outras escolas musicais ou que estudem com professores particulares, desde que comprovem mensalmente vínculo estudantil ao longo do ano letivo de 2026.
Para estes casos, ainda é necessário que o participante tenha idade inferior a 30 anos e curse ao menos uma disciplina coletiva oferecida pelo CDMCC ao longo do período de vigência da bolsa.
Estão abertas as matrículas para o Musicou Andirá, programa de educação da Sustenidos Organização Social de Cultura.
Com patrocínio da CTG Brasil, o projeto oferece aulas gratuitas para pessoas de todas as idades no município paranaense, sendo de violão, percussão, canto coletivo, iniciação musical e prática de conjunto. As inscrições são presenciais no Cine Teatro São Carlos. É preciso levar documento de identificação com foto, RG ou certidão de nascimento do aluno, comprovante de residência e documento dos responsáveis, caso o aluno seja menor de 18 anos.
O Theatro Municipal de São Paulo realiza no dia 7 de fevereiro, às 11h, a IV Edição da Lavagem da Escadaria, inspirada em práticas culturais tradicionais da Bahia, que celebra a força simbólica da cultura afro-brasileira como expressão de identidade, história e convivência. O evento será composto por show musical e cultural no Salão Nobre do Theatro, degustação de culinária afro-brasileira, bênçãos multirreligiosas promovendo a cultura de paz, lavagem da escadaria do Theatro Municipal de São Paulo ao som de cânticos e ritmos sagrados.
A programação tem início às 11h, no Salão Nobre, com o momento de Bênçãos, em uma celebração ecumênica conduzida por sacerdotes de matriz africana.
Estão abertas as matrículas para estudar em três núcleos do Musicou: Andirá, Arinos e FUNSAI. Destinado para todas as idades, o projeto é gratuito, não é necessário ter o instrumento musical, tampouco ter conhecimento prévio sobre o curso escolhido.
Com uma estrutura completa de salas de aula, o Musicou oferece os instrumentos musicais, salas de ensaios e também contam com educadores preparados para receber alunos de todos os níveis de conhecimento sobre o curso escolhido. Os núcleos Musicou FUNSAI e Andirá ainda disponibilizam espaço para a comunidade ensaiar em seu Espaço Musicou.
Para se inscrever no Musicou, é necessário comparecer presencialmente no núcleo. Confira o horário de funcionamento de cada espaço AQUI. É preciso levar documento de identificação com foto, RG ou certidão de nascimento do aluno, comprovante de residência e documento dos responsáveis, caso o aluno seja menor de 18 anos.
Andirá-PR Patrocinado pela CTG Brasil, o Musicou Andirá oferta para a comunidade os cursos de violão, percussão, canto coletivo, iniciação musical e prática de conjunto. As inscrições são presenciais e acontecem no Cine Teatro São Carlos, espaço que abriga o núcleo do projeto na cidade desde 2022.
Arinos-MG Também patrocinado pela CTG Brasil, o Musicou Arinos tem abertas inscrições para os cursos: violão, percussão, canto coletivo, iniciação musical e prática de conjunto. As inscrições são presenciais e acontecem na Secretaria de Cultura de Arinos, espaço que abriga o núcleo do projeto na cidade desde 2023.
FUNSAI-SP O núcleo Musicou FUNSAI, que tem como mantenedora aFUNSAI – Fundação Nossa Senhora Auxiliadora do Ipiranga, oferta para a comunidade do bairro do Ipiranga os cursos violão, percussão, canto coletivo e iniciação musical. As inscrições são presenciais e acontecem no LAMFF – Liceu de Artes Musicais Fúrio Franceschini, espaço cultural gerido pela FUNSAI que abriga o núcleo do projeto na cidade desde 2024.
SERVIÇO Abertura de matrículas – Núcleo MusicouAndirá Cine Teatro São Carlos – Rua São Paulo s/n – Centro/ Andirá – PR Inscrições a partir do dia 26 de janeiro presencialmente no núcleo Cursos: violão, percussão, canto coletivo, iniciação musical e prática de conjunto Aulas: terças e quintas-feiras, no período da tarde
Abertura de matrículas – Núcleo MusicouArinos Secretaria de Cultura – Avenida Francisco Pereira, n° 2125 – Centro, Arinos-MG Inscrições a partir do dia 26 de janeiro presencialmente no núcleo Cursos: violão, percussão, canto coletivo, iniciação musical e prática de conjunto Aulas: terças e quintas-feiras, no período da tarde
Abertura de matrículas – Núcleo MusicouFUNSAI LAMFF – Liceu de Artes Musicais Fúrio Franceschini – Avenida Nazaré, 366 – Ipiranga, São Paulo -SP Inscrições a partir do dia 26 de janeiro presencialmente no núcleo Cursos: violão, percussão, canto coletivo e iniciação musical Aulas: terças a sábado, no período da tarde
Jorge Du Peixe (vocal), Dengue (baixo), Toca Ogan (percussão), Marcos Matias e Da Lua (tambores), Tom Rocha (bateria) e Neilton Carvalho (guitarra) vão tocar versões orquestrais das faixas do disco, como “Maracatu Atômico”, “Mateus Enter”, “Etnia” e “Manguetown”.
A orquestra do Municipal estará sob a regência de Wagner Polistchuk.
Com entrada gratuita, a Orquestra Experimental de Repertório apresenta, no dia 25, domingo, no Theatro Municipal, o concerto Mitos Sonoros.
No programa, uma série de obras com temas como natureza, América Latina e divindades ligadas à terra, com composições como Uirapurú: Bailado Brasileiro, de Heitor Villa Lobos (1887-1959), Sinfonia dos Orixás: Suíte, de Almeida Prado (1943-2010), e Nhanderú, de Clarice Assad.
A área de artes cênicas do Conservatório de Tatuí anunciou a chegada de Luiz Fernando Marques, o Lubi, para a coordenação da Cia. de Teatro durante a temporada 2026.
A instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do estado de São Paulo, considerada a maior escola de música e teatro da América Latina e gerida pela Sustenidos Organização Social de Cultura, também está com as inscrições abertas para o processo seletivo de bolsistas da Cia. de Teatro, que podem ser feitas de forma gratuita e online por meio do formulário até 26 de janeiro.
A oportunidade é destinada a estudantes e ex-estudantes (que se formaram em 2025) do curso de artes cênicas do Conservatório de Tatuí, além de estudantes de música regularmente matriculados na escola, que poderão integrar a trupe no espetáculo deste ano dirigido por Lubi.
A temporada 2026 do Theatro Municipal de São Paulo começa em fevereiro, e reserva grandes óperas, concertos e espetáculos de dança para os próximos meses na cidade.
O mote da programação deste ano é a pergunta “O que deixamos para trás quando o mundo, como o conhecemos, colapsa?”. Confira, a seguir, os destaques líricos da agenda do palco centenário.